PATRONO

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Foto: Ronald Mendes
Foto: Ronald Mendes

Maurício Corrêa Leite

O promotor de leitura e arte e educador brasileiro Maurício Corrêa Leite é natural de Cassilândia, Mato Grosso do Sul  Fez o curso de magistério em sua terra natal e após viajou para o Rio de Janeiro para estudar teatro. Em 1980 começou a contar histórias em aldeias indígenas na ilha do Bananal, na divisa dos  estados de Tocantins, Mato Grosso e Goiás. Fez-se educador pela arte no seio das teorias de Paulo Freire, Montessori, Piaget e outros, mas foi no terreno dos muitos países em que tem trabalhado, desde a Amazônia a Moçambique, que construiu o seu modelo de intervenção,“garimpando leitores”.

É um dos idealizadores do projeto Malas de Leituras, apoiado pela UNICEF e pela Universidade Solidária de Brasília, que estabeleceu um método eficiente de formação de leitores. As Malas de Leitura, desde os anos oitenta visitam as aldeias indígenas na Ilha do Bananal e escolas da zona rural na região centro-oeste. A partir de 2000 Mauricio carrega as Malas de Leitura para Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Portugal, países de língua portuguesa.

Desde 1990 participa da Ashoka, rede de Empreendedores Sociais fundada na Índia. O seu trabalho associa uma sólida bagagem teórica, a um forte potencial de comunicação e é uma referência no mundo da promoção da leitura. Em Portugal onde reside parte do ano desde 2005, trabalha para Universidades, Associações, Centros de Formação de Professores, Festivais e Bibliotecas, Escolas.

O seu trabalho no Brasil e nos países de língua portuguesa, valeu-lhe já por oito vezes a nomeação ao Prêmio ALMA (Astrid Lindgren Memorial Award), o maior prêmio internacional de literatura infanto-juvenil e promoção da leitura.  

Trabalhou como consultor em promoção de leitura para o Ministério das Relações Exteriores do Brasil em vários países: Estados Unidos, México, Países da Europa e da CPLP. (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)para a qual é consultor para projetos de promoção de leitura para escolas bibliotecas, universidades.

Participa em congressos de literatura infanto-juvenil apresentando palestras/oficinas em vários estados brasileiros e também no exterior. Recebeu em 2014 o Prêmio Unesco de Leitura.Tem o reconhecimento da Cátedra UNESCO de Leitura e de diversas organizações voltadas para a leitura e formação de novos leitores.

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“Falar de promoção da leitura em qualquer espaço, em qualquer país, faz sempre sentido. É que, para se promover a leitura, não importa o número de livros ou o número de leitores. Para se promover a leitura, basta que haja um único livro na única estante da única biblioteca existente num raio de centenas de quilômetros. Fez sentido no Brasil, mesmo que não existisse nem um livro nas aldeias perdidas do Pantanal brasileiro ou da floresta amazônica que o Maurício Leite visitou durante vinte e cinco anos com o Projeto Mala de Leitura.”

Maria Carlos Loureiro
Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas
Biblioteca Nacional Portugal


Instituto Interdisciplinar de Leitura da PUC-Rio (iiLer), criado em 2012 com o intuito de desenvolver atividades de investigação científica e formação de leitores capazes de assumir uma atitude crítica diante da realidade sensível que os cerca e fazer uso social dessa capacidade. Em sua estrutura acolhe a Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio.

“Há pessoas e instituições que labutam ordinariamente em defesa do livro e da leitura, em condições estimadas como indispensáveis à promoção de leitores: recursos, formação, amparo oficial. Há no entanto outros, cuja tarefa ordinária é justamente criar estas condições, apresentando seu trabalho e sua disposição para enfrentar condições adversas e leitores potenciais esquecidos. Isto significa buscar construir relações, ser ouvido por instituições, sensibilizar financiadores, apresentar resultados e criar um currículo capaz de manter  em fluxo sua atividade. Eis Mauricio Leite, o homem da mala de livros.

Depois de percorrer uma zona rural brasileira por barco e de carona, apresentou-se para percorrer a África portuguesa e, em meio  a um mundo inóspito, levar livros e distribuí-los a crianças depois de tê-los seduzido pela leitura em voz alta. Dai passou a atender a comunidades lusófonas e empobrecidas nos EUA, o que lhe valeu um convite para ler em bibliotecas de imigrantes latinos por largo período.  Como parte do apoio a países de língua portuguesa se instalou em Lisboa, viajando para feiras e seminários em Portugal continental.

De volta ao Brasil, nos últimos dois anos tem apoiado a criação de bibliotecas escolares, com a mesma estratégia de inventar soluções para as as condições locais, buscando doações de livros, materiais recicláveis para as estantes, espaços informais para ler na escola.

Mantendo-se como profissional independente atua com invejável mobilidade no atendimento a comunidades deserdadas da atenção de programas regulares nacionais.

O iiLer não tem dificuldades em reconhecer seu trabalho sui-generis e de eficácia comprovável. Cabe-nos valorizar também  outro perfil de promotor da leitura, este reconhecido ‘homem da mala de livros’”.

Eliana Yunes
Cátedra UNESCO de Leitura