JANEIRO 27 – O PAPO É PARA QUE NÃO SE REPITA

A primeira atração do Livro Livre de quinta-feira foi um bate-papo sobre a noite mais difícil da memória santa-mariense. Há quatro anos, um incêndio na boate Kiss provocou a morte de 242 jovens. “Janeiro 27 – Narradores e narrativas” reuniu seis pessoas ligadas ao acontecimento de diferentes formas.

O tom da conversa entre os debatedores e, posteriormente, público foi de incredulidade, indignação e impunidade muito semelhantes aos vistos logo após a tragédia. “Como é que deixaram uma casa noturna virar uma arapuca, onde as pessoas vão para se divertir e morrem?”, indagou o jornalista Luiz Roese, que trabalhou na cobertura do acontecido. Segundo ele, é importante não deixar o assunto cair no esquecimento, mesmo que isso implique em uma repetição desagradável, pois isso não pode acontecer outra vez.

 A professora Ada Cristina Silveira, organizadora do e-book “Midiatização da Tragédia de Santa Maria”, destacou a importância do falar sobre a tragédia como forma de ajuda aos envolvidos. “Muitos profissionais foram trabalhar e voltaram para casa com sequelas psicológicas graves”, completa. Ada ressaltou a seriedade da mídia ao tratar da Kiss. “Em um tempo em que a mídia é vilã, ela ajudou enquanto as autoridades desertaram […] mas hoje a gente vê que não é só disso que as autoridades fogem”, completou, em referência aos escândalos de corrupção.

Além do professor Nestor Raschen, da psicóloga Fabiane Bertoluzzi e das jornalistas Eduarda Pavanatto e Luiza Adorna, o público foi bastante participativo na reflexão. O técnico em radiodifusão Érico Maciel relatou aos debatedores sua “carta aberta ao prefeito”, veiculada em um jornal local dois dias após o primeiro ano da tragédia. Chamado pelo então chefe do executivo municipal para conversar, Érico contou ter exigido um auditório com 242 cadeiras. O encontro nunca aconteceu e, por fim, o técnico ironizou: “Entendo agora o símbolo da justiça, uma mulher cega e sentada”.

Foto: Matheus Kunzler/LABFEM-UNIFRA
Foto: Matheus Kunzler/LABFEM-UNIFRA

Cobertura especial: Jornalista Guilherme Benaduce (Mtb 18310/RS)

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