quarta-feira, maio 22, 2024
Feira Do Livro 2017TODAS EDIÇÕES

NOITE PARA OUVIR ARTHUR FALAR DE ELIS

Uma donzela canta sobre os diferentes e mais cômicos tipos de gente que lotam a casa onde ela mora. Esta foi a canção com  que Arthur de Faria iniciou o bate papo do Livro Livre desta quarta, 10 de maio. Autor da canção e do livro Elis – uma biografia musical, o músico e jornalista munido de um bom humor invejável conversou sobre a produção de seu livro, que levou anos para  ser lançado e tem como tema, uma competente cantora popular brasileira: Elis Regina.

Arthur conta que foi por influência da mãe que começou a ouvir Elis. “Dois anos antes de eu nascer, minha mãe já comprava discos da Elis, então ela sempre fez parte da minha vida”, relata. O músico comentou também sobre a diferença entre cantores, que segundo ele, preocupam-se muito mais com a voz, o timbre, a música, e os intérpretes, que fazem e vivem o texto. Para ele, Elis era ambos: “ela está dentro de cada frase que está dizendo”, observa.

Muito conhecida por sua sensibilidade ao cantar, Elis  começou na televisão, e grande parte de sua naturalidade na tela se deu pela sua grande experiência nos palcos de Porto Alegre, os quais ela frequentava desde os 13 anos de idade. Um ano depois de sua mudança para o Rio de Janeiro, ela já era a maior cantora brasileira, após vencer o 1º festival de MPB, com a música Arrastão, de Vinicius de Morais e Edu Lobo.

A biografia, focada nos anos iniciais de Elis em Porto Alegre, conta com a colaboração de músicos e produtores que trabalharam com ela. Assim , Arthur pode criar um perfil musical e artístico de onde ela surgiu. A cantora, que apesar de nunca ter tocado nenhum instrumento, preocupava-se muito com os arranjos e letras. Ela se envolvia de corpo e alma com a composição, algo que é tão raro nos tempos atuais, quanto em sua época. Inclusive, em um show ela até demitiu seus músicos bagunceiros enquanto os apresentava ao público, dizendo ser sua última apresentação juntos.

Arthur tinha em mente um livro sobre a história da música de Porto Alegre, e quando percebeu, o capítulo de Elis era o maior e mais importante de todos. A partir daí, surgiu a ideia de torná-lo um livro único. Diferente de outras obras, esta foca  na carreira musical de Elis. Todas as histórias e a forma elegante com que a narrativa é  construída, buscam mostrar o perfil da cantora como profissional.

O músico, que tem como álbum preferido, Elis e Tom, explicou também sobre a recente obrigatoriedade do disco no vestibular da UFRGS, e de questões como a inclusão do gênero canção como gênero literário. Ele acredita que apesar dos preconceitos que os mal intencionados replicam de idiotas que não entendem sobre o assunto, o fato de Bob Dylan ter ganhado o Nobel de Literatura demonstra a dimensão da importância da composição.

O bate papo encerrou com uma última apresentação do músico. Enquanto se dirigia para cumprimentar o autor pela sua obra, Matheus Ari, 54 anos,  contou que havia enfrentado o frio da noite, pois queria parabenizar o autor da obra:”É uma história ritmada, gostosa de ler, e que faz com que quem já era apaixonado pela cantora, se torne ainda mais depois desta obra”, revela o aposentado.

O músico e jornalista Arthur de Faria conversou sobre a construção do livro sobre Elis. (Foto: Andressa Rodrigues/LABFEM-UNIFRA)
O músico e jornalista Arthur de Faria conversou sobre a construção do livro sobre Elis. (Foto: Andressa Rodrigues/LABFEM-UNIFRA)

Texto elaborado pelo acadêmica Thayane Rodrigues/ Jornalismo – UNIFRA
Prof. responsável: Jornalista Bebeto Badke (MTB 5498)