A LEITURA E SUAS TRANSIÇÕES, SEGUNDO MAUCIO

O bate-papo da tarde de domingo, 1° de maio, dispensou formalidades. Mario Lucio Bonotto Rodrigues, um dos destaques da 43° edição da Feira do Livro, aproveitou o passeio pela Praça para falar sobre ele. Nas palavras do homenageado e visitante, sua presença é mais intensa que nos anos anteriores. “Procuro vir em horários distintos e estou satisfeito com a variedade de público. Pessoas que se adequam para aparecer por aqui, seja a trabalho, por curiosidade ou qualquer outro motivo, torna a Feira mais rica”. Embora com uma programação voltada ao lazer e ao entretenimento, Maucio, como também é conhecido, confessa não conseguir escapar do trabalho: “a observação é algo fundamental, estou sempre acordado. Afinal, existem dois tipos de amigos, os que fazem jus ao termo e os livros. Com eles dialogamos e ouvimos. Por trás deles, sempre há pessoas”.

Interpelado enquanto assistia a uma das peças infantis, Maucio revela que alguns títulos específicos também atraíram seu olhar: “os blogueiros que transformam trabalho em livro me chamam atenção. Podemos ser preconceituosos no primeiro momento, mas com mais cuidado percebemos o quão podem ser interessantes. Esse processo é uma espécie de rito de passagem do leitor digital para o leitor impresso”. O escritor aproveitou a deixa para falar sobre a falsa impressão quanto aos jovens leitores. Para Maucio, ambos os meios são essenciais na construção do indivíduo, cada um com sua importância. “É uma questão de puro preconceito mesmo. A geração de agora lê mais que a anterior, ainda que sejam leituras rápidas e superficiais, muitas vezes. Mas é um começo e pode ser uma transição. É importante aumentar o número de leitores para depois discutir a qualidade da leitura. O primeiro passo é ler”.

Massa Folhada n° 5, blog de papel lançado pelo cartunista na Feira Deste ano, é ousado na medida em que provoca questões como o exagero da rede: “pretendi questionar o tempo que no impresso é outro, menos urgente. Na internet é difícil as pessoas relerem algo e a releitura é necessária. Faz com que as pessoas repensem aquilo que está no papel. A internet peca pelo excesso, o que não é ruim, mas no palpável o leitor sente o conjunto”, explica. De acordo com ele, a base sólida do livro é desvantagem para o conteúdo online fugaz.

“Não divido a escrita por faixa etária”, avalia Maucio ao voltar os olhos para o palco. E numa espécie de associação, conclui: “e nem vejo isso com bons olhos. É muito mais uma questão mercadológica, editorial. Prefiro a literatura universal. Encanta ver as crianças com publicações que atingem todo mundo. Pode ser pretensioso, mas só assim o livro é completo”.

Foto 1 Juliano Dutra_Maucio

ASSESSORIA DE IMPRENSA – UNIFRA
TEXTO: jornalista Rúbia Keller
FOTO: Laboratório de Fotografia e Memória/Juliano Dutra
PROFESSOR RESPONSÁVEL: jornalista Bebeto Badke (MTB 5498)

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