DEBATE ACALORADO EM NOITE DE GRANDES DISCUSSÕES

O bate-papo no Livro Livre desta noite de sábado, 5 de maio, foi inflamado. Convidados e mediador debateram temas da atualidade e foram aplaudidos diversas vezes pela plateia que lotou a praça. O relações públicas e professor universitário da UFSM, Flavi Lisboa mediou o encontro que  contou com a presença do jornalista Marcelo Canellas e da professora Maria Rita Py Dutra. Os assuntos em destaque foram os acontecimentos pós-assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, com ênfase nas fake news compartilhadas após sua morte e os discursos de ódio propagados nas redes sociais.

Maria Rita exalta que a grande questão sobre a Marielle foi a sua opção pelos direitos humanos, levantando uma bandeira que acolhe a todos, e isso levou ao seu assassinato. Ela destacou também a importância de exercer o pensamento crítico: “Não adianta nós termos títulos, não adianta nós sermos doutores se não exercitarmos os nossos pensamentos.”

Flavi lembrou que, passados 51 dias,  é um caso que ainda continua sem solução e o que chama bastante atenção  é o fato de ser mais um crime relacionado com os direitos humanos.

Canellas foi firme ao se referir à Marielle: “Uma negra que se posicionava claramente sobre o racismo, uma mulher que se posicionava claramente sobre o machismo, uma mãe que se posicionava claramente quanto à falta de estrutura do estado para a criação de filhos pequenos, uma lésbica que se posicionava claramente contra a homofobia e contra posicionamentos discriminatórios”. O debate deixou implícito que essas são razões pelas quais a vereadora se destacava diante de seus opositores e por isso surgiram tantas fake news relacionadas ao caso.

Na plateia, o jornalista João Alberto de Miranda, lamenta: “As pessoas escolhem as verdades, as bolhas da internet servem para isso. Elas enxergam o que elas querem, infelizmente.”

Canellas aproveitou a ocasião para destacar  um outro importante assunto: o impasse na área de patrimônio cultural, histórico e arquitetônico da cidade, a qual está sob ameaça por causa do projeto que tramita na Câmara de Vereadores que prevê a mudança do Plano Diretor da cidade: “É preciso a conscientização das pessoas diante disso e que atitudes sejam tomadas para manter viva a memória de Santa Maria.” A plateia aplaudiu muito!


Texto elaborado pelas acadêmicas Estela Biscaino e Valéria Auzani / Jornalismo UFN – Universidade Franciscana
Foto: Juliana Brittes/ Labfem-UFN
Professor responsável: jornalista Bebeto Badke (MTb 5498)