quarta-feira, maio 22, 2024
Feira do Livro 2023TODAS EDIÇÕES

LIVRO LIVRE: LUCIANO PONTES RESSIGNIFICA A FIGURA DO VELHO DO SACO

Você certamente já deve ter ouvido falar do ‘’velho do saco”, figura popular que frequentou o imaginário infantil de muitos brasileiros. No Livro Livre da noite desta terça-feira (2), o ator e escritor, Luciano Pontes, apresentou o espetáculo “Histórias do Velho do Saco”, sessão de contos oralizados e cantados, no palco do Theatro Treze de Maio.

O artista, que esteve na cidade em 2019, retornou nesta edição da Feira do Livro para ressignificar essa figura que assombrou muitas crianças ao ser utilizada como recurso para evitar que os pequenos falassem com desconhecidos. Entre emoção e gargalhadas, o público presente no Theatro interagiu com a encenação que recriava um novo imaginário, agora na figura de um homem que atravessou o tempo guardando no seu saco história de lugares e pessoas que pelo caminho encontrou.

Durante cerca de 45 minutos de apresentação, Luciano apresentou quatro histórias adaptadas onde traz o protagonismo do velho e da velha como presença sábia nas tramas e enredos. Tayná Lopes, jornalista e estudante de teatro, elogiou a  encenação e se mostrou inspirada, destacando que irá levar para a sua formação.

“Eu achei o espetáculo incrível. Ainda não conhecia o trabalho do Luciano, acabei vindo por acaso e acabei me surpreendendo positivamente. Como estudante de teatro, pude avaliar o trabalho vocal e corporal dele, riquíssimo! Ele trabalha muito com o imaginário, com a interação. Isso me fez sair agora do Theatro com os olhos brilhando. Eu não parei de sorrir o espetáculo inteiro. Ele surpreende a gente o tempo todo”, enaltece a estudante.

Questionada quanto às suas memórias com o “velho do saco”, Tayná revela que a partir do espetáculo irá ter outra perspectiva sofre a figura.

Foi um resgate de todas essas histórias de uma forma lúdica e divertida, tirando o temor e o medo que antigamente costumavam me trazer. Agora eu vou enxergar todas essas histórias populares de uma perspectiva diferente, uma perspectiva mais não-violenta e muito mais imaginativa, de acolhimento”, explica a jornalista.

A professora do curso de pedagogia da Universidade Franciscana (UFN), Adriana Claudia Martins, foi ao Livro Livre acompanhada das alunas da disciplina Alfabetização e Letramento II. Após a apresentação, a professora e as estudantes conversaram com Luciano sobre o quão inspirador foi o momento.  

“A gente ficou encantado. Tínhamos expectativa de vir para esse momento cultural, momento de releitura literária e de incentivar na formação dos professores  o ambiente do teatro, da cultura do teatro. Viemos em turma com alunos do curso de pedagogia, onde estamos trabalhando com rima, consciência fonológica e com a interação”, explica a professora.

O escritor também conversou com a equipe da Feira do Livro e revelou como se deu a escolha por recontar a história do velho do saco. 

“Foi por uma questão bem afetiva. Fui dando conta que, de alguma forma, eu estava envelhecendo e comecei a me interessar também por histórias que falavam sobre a velhice. A figura do velho do saco remota as nossas influências europeias, portuguesa, que vieram junto dos contos e permearam o nosso imaginário popular. A partir daí eu fui me dando conta de trazer mais a presença tanto de homens quanto de mulheres e de temas que tocam muito mais no aspecto de sabedoria”, relembra Luciano.

Questionado se a figura do velho ainda se faz presente na infância das novas gerações, Luciano aponta as transformações da cultura popular através do tempo.

“Algumas crianças não sabem dessa figura do velho do saco. Se diluiu um pouco pelo tempo, não há mais essa ameaça dos pais. A ameaça dos pais agora não é mais com o velho do saco. Essa figura, que geralmente era um homem que vendia coisas, um mascate, essa figura se depara em outros arquétipos”, conclui o ator.

Na quarta-feira (3) o  Livro Livre segue com o espetáculo O Museu Desmiolado, da Trupe Onde a Palavra se Diverte. Os ingressos estão disponíveis para retirada na bilheteria do Theatro Treze de Maio.

Fotos: Ronald Mendes

Texto: Nathália Arantes – acadêmica de jornalismo da UFN

Jornalista responsável: Letícia Sarturi (MTB 16.365) – BAH! Comunicação Criativa